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  • YAM Trilhas Educacionais

Boas-vindas aos alunos, às alunas e às famílias


Como fazer a acolhida e o afeto inaugurarem 2021


Estamos quase completando 365 dias de isolamento. Quase um ano de afastamento, de sorrisos escondidos sob as máscaras, de beijos e abraços prometidos. É um verdadeiro e concreto interdito de corpos. Não podemos abraçar os mais próximos e muito menos os que já ficaram distantes. A verdadeira conexão, aquela que importa, está suspensa.


Penso que são adultos a lerem este texto: profissionais da Educação, principalmente, famílias e responsáveis pelos alunos e pelas alunas que agora começam a retornar às escolas.


Se o quadro já não está fácil para quem possui mais estrutura emocional e material para atravessar esta fase, imaginemos...e como fica aquele sujeito que não está aqui lendo conosco: alunos e alunas? Como verão o novo ambiente escolar, como encararão amigos e amigas que se distanciaram e se (re)aproximaram, como reconstruirão laços, sentidos, como se implicarão nesta nova maneira de se relacionar, de aprender? O que era uma fase virou rotina.


Muitos e muitas nem conhecem aquele professor ou aquela professora que foi contratado(a) em plena pandemia; crianças iniciaram o processo de alfabetização por meio de computadores e celulares; os tão esperados rituais de término de Ensino Médio não aconteceram; a passagem, tão especial, do 5º. Ano para o 6º. Ano precisou de adaptações.


Agora, o ambiente físico está sendo preparado nas escolas públicas e privadas, algumas com muitos recursos, muitas com pouquíssimos. Mas como fica a preparação do ambiente emocional, que prescinde de dispositivos, aplicativos e plataformas?


As escolas voltarão de forma híbrida, com docentes e discentes alternando momentos presenciais e remotos. Não nos esqueçamos de que o híbrido pressupõe, antes de tudo, singularidades e autonomia (aqui autonomia tomada como princípio pedagógico de corresponsabilidade).


Famílias, de sangue e de afeto, e alunos e alunas precisam, para além dos ajustes das plataformas e dos espaços físicos, encontrar escuta, perceber o olhar do outro para si, enxergar assertividade de que estamos todes juntes.


Aprendemos muito com crianças e adolescentes que nos deram uma grande lição: muitos e muitas, direta ou indiretamente, disseram: “assim, não consigo!”. E se afastaram mais.


Nesta volta adaptada, pensemos em todo este cenário e no privilégio de estarmos aqui, bem e juntes. Vamos honrar quem não pode estar por qualquer motivo. Honrar quem está fora dos muros das escolas, vulnerável, sem assistência, sem carinho.


Sabe aquela viagem longa para um país estranho, do qual não conhecemos a língua, a cultura, no qual somos sempre estrangeiros? Vamos pensar que famílias, alunos e alunas acabaram de chegar deste lugar. Vamos recebê-les com flores nos olhos, cartazes nos lábios, perguntar como foi a viagem, o que querem nos contar, nos mostrar. Vamos oferecer esta escuta para quem tem muito a dizer, mesmo que calade.


Professor e professora, tranquilizem as pequenas turmas presenciais e as que estarão em casa: o momento é de reconstrução e, como tal, pressupõe olhar para o coletivo sem desviar o olhar de cada um e cada uma (aluno, aluna, família) que reagiu e reage ao que vivemos de modo muito singular. Não se esqueçam de que vocês são a referência: se o professor e a professora estão ali prontos e prontas para um primeiro grande passo, as turmas acompanham. O momento pede que sejamos realistas, mas pede também que não deixemos de ser aquele e aquela que mostrará: “viver é perigoso”, mas, quando o sentido de humanidade é pressuposto, impossível não resistir. E avançar.


Defasagem de conteúdos, atividades pendentes, avaliações diagnósticas...tudo isso pode esperar. Afinal, dê a primeira clicada aquele ou aquela que sempre cumpriu todos os “conteúdos”, nunca precisou replanejar e nem rever estratégias.


O afeto tem de estar em cada gesto nosso, incluindo o olhar para estes gêneros textuais escolares (provas, avaliações, testes). E que cada gesto seja leve, mostre segurança, transparência, esteja a serviço da reconstrução...de laços, desejos, projetos (individuais, coletivos e de país). O resto? As plataformas oferecem.


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